PROGRAMAS
PROGRAMAS
Os programas dos concertos e recitais de Darcy Villa Verde são uma oportunidade de verificarmos como ele entendia e organizava a dinâmica de cada uma de suas apresentações.
Apesar de inicialmente ter se inspirado no repertório de André Segóvia, Darcy Villa Verde assumiu diretriz própria e, diferente do mestre espanhol, passou a montar seu programa só com músicas de grande predileção por parte do público, de forma que ajudasse a gerar mais integração e engajamento.
Era a junção das peças mais desafiadoras e representativas do repertório violonístico. O público ansiava por assisti-las, sabendo que nas interpretações de Villa Verde elas ganhavam toda uma nova dinâmica e dimensão musical.
Dependendo da hora, se vesperal ou noturno, ou até do propósito do recital, as peças se readequavam.
Normalmente, iniciava com peças eruditas barrocas, mais solenes em termos de clima e sonoridade, e ia alterando os gêneros e estilos, de maneira a deixar sempre a apresentação numa atmosfera elevada em termos de intensidade e expressividade interpretativa.
Algumas peças muito difíceis que exigiam maior destreza técnica, lançadas com muita intensidade e velocidade, iam dando passagens a outras mais melódicas, românticas ou impressionistas que na sequência, voltavam a dar lugar para outras extremamente tecnicamente desafiadoras e mais curtas.
Darcy Villa Verde, também, numa iniciativa pioneira, costumava fazer comentários junto ao público sobre as principais peças de seu repertório, levando a audiência a se inteirar sobre elas e a acompanhar com mais interesse a interpretação de cada uma.
Vamos lembrar que estamos na década de 60 e 70, época em que as apresentações eram extremamente formais e protocolares quanto ao papel de um músico e concertista no palco. O concertista sequer se apresentava ou anunciava a peça que iria tocar, quanto mais conversar com o público num recital clássico. Principalmente sendo um violonista.
Segundo depoimentos de alguns violonistas da época, dava quase para sentir na plateia o complexo de primo pobre, a insegurança e o desconforto dos concertistas de violão quando, estes, não era um profissionais muitíssimo preparados para fazer do recital uma apresentação equivalente a de qualquer outro instrumento solo como o de um violino, de um violoncelo ou de um piano. Quando, então, o temperamento do concertista era introvertido e o som acanhado como o da maioria, a coisa agravava ainda mais.
Lançar o violão a um estado de igualdade aos outros instrumentos, exigia do concertista um lado artístico e pujante, todo próprio, que conquistasse a plateia, e que não era próprio dos recitais da época.
Possuidor de uma capacidade de comunicação incomum, sua habilidade em contar histórias e criar climas transformava o recital em um espetáculo cultural muito atrativo, além de extremamente engajador, fosse ele composto só de músicas clássicas ou de clássicas e populares. Uma medida que Darcy sabia calcular com muita propriedade, alterando o programa conforme sentia o público.
A quantidade de peças extras que Darcy Villa Verde costumava conceder era grande. Muito solicitado, seus concertos normalmente se estendiam por conta do público não ir embora e ficar pedindo ‘bis’ muitas vezes. Dessa forma, em algumas ocasiões, Darcy montava seus programas já considerando a quantidade de peças que excederiam o tempo previsto para o recital.
Há programas que se somado o tempo de cada peça, não ultrapassam os 60′. Mas eram recitais que juntando as peças extras e os comentários chegavam a quase duas horas.
Aqui você poderá ver alguns exemplos de programas dos recitais executados no exterior e no Brasil, e ter uma ideia de como ele os elaborava de maneira a se estreitar com o público, fidelizando-os com o seu trabalho.
Abaixo, em um primeiro exemplo, um programa de um recital de Darcy Villa Verde dado em 1975, na Sala Cecília Meireles.
Neste caso, seu segundo concerto na ‘Sala’, após seu retorno da União Soviética em 74, onde passou alguns meses em tournée. Diferentes estilos de músicas eruditas, mas montadas em uma sequência bastante envolvente, principalmente com as abordagens históricas, técnicas e de intenção interpretativa que Darcy dava sobre cada uma, antes de tocar.
Ao término deste recital, Darcy Villa Verde, que já estava com retorno para a Europa programado, deu de bis mais três peças espanholas, – ‘Dance N. 5 de Granados’, ‘Ráfaga de Joaquín Turina’ e ‘Granada de Albeniz’ – mais duas peças de Villa-Lobos – ‘Prelúdio N. 5’ e ‘Schottish Choro’ – e mais oito peças populares – ‘Villa Verde-Lobos’, Cavatina de Stanley Meyers’, ‘Manhã de Carnaval de Luiz Bonfá’, ‘Se Tu Soubesses de George Moran’, ‘Canto de Ossanha’ e ‘Berimbau de Baden Powell’, ‘La Marseillaise de Roget de Lisle’ e ‘A Felicidade de T. Jobim’ – e para encerrar a delicada peça musical ‘Caixinha de Música, de Isaías Sávio’, que era utilizada para sinalizar ao público que não tocaria nada mais depois dela.
Alguns programas de recitais dados por Darcy Villa Verde na Europa, adquiridos mais recentemente, estão sendo restaurados e poderão ser disponibilizados no site, oportunamente.
Programa de recital na Sala Cecília Meireles, outubro de 1975. Clássico exemplo de como montava programa. Recital dado logo após o retorno de Darcy Villa Verde de uma longa tournée na URSS e sua partida para a Europa. Coleção particular.
Raríssimos exemplares de programas dos recitais e concertos de Darcy Villa Verde dados no Exterior e no Brasil.
Coleção particular
Raríssimos exemplares de programas de recitais e concertos de Darcy Villa Verde dados no Brasil.
Coleção particular
Programas e materiais de divulgação utilizados para os recitais e concertos de Darcy Villa Verde.
Abaixo, a oportunidade de olhar de perto alguns dos programa dos recitais e concertos de Darcy Villa Verde, observando maiores detalhes como gênero, estilo de música e alguns textos da época. Mais abaixo, alguns folders sobre Darcy Villa Verde e suas apresentações na Sala Cecília Meireles. Anos 70. [Coleção particular]
Detalhes de alguns programas utilizados na iniciativa pioneira de Darcy Villa Verde divulgar a música clássica e o violão como instrumento de concerto, em todo o Brasil.
Abaixo, programas que faziam parte do projeto de difusão da música clássica no Brasil que Darcy implementou através do violão, composto de uma segunda parte de músicas populares.
Tratavam-se de recitais e concertos desenvolvidos para atender o gosto do público em geral. A platéia se surpreendia, principalmente, pela capacidade do artista em levá-los a se envolver com cada universo sonoro, fosse esse universo proveniente do gênero clássico ou popular, com a mesma intensidade.
Ao final, o resultado era de uma experiência musical única e memorável.
Os programas abaixo fazem parte de três das 9 ‘tournées’ feitas.
Cada uma dessas ‘tournées’, cobria de norte a sul do território brasileiro e contemplavam centenas de cidades. Duas delas se restringiram apenas às regiões Sul e Sudeste e a outra Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Programas dos anos de 72, 73 e 74.
[Coleção particular]
