"A importância do artista no mundo vai muito além do entretenimento e transpassa a 'mise en scene' do marketing pessoal.
Seu papel é fundamental para o desenvolvimento intelectual, formação de opinião, inclusão social, assim como é essencial para a educação de uma nação.

Ser um artista é ser único, é surpreender, é levar as pessoas a enxergar o mundo sob um novo ponto de vista, estimulando a sensibilidade e a vontade de viver. Com este propósito, através de sua arte e personalidade, ele pode se conectar de maneira poderosa com o seu público e imprimir a sua identidade, por meio de sua mensagem, de sua história, de sua emoção e de sua visão da arte e do mundo."

Algo que é digno de atenção na trajetória profissional de Darcy Villa Verde, é que ele conseguiu ao longo de mais de duas décadas de atuação profissional, estar presente nas agendas dos mais importantes e representativos teatros e salas do repertório da música clássica internacional, sem ter gravado um único disco sequer. 

Isso é inédito, principalmente em se tratando de violão, pois a prática comum do mercado, em sua esmagadora maioria, é entender um profissional bem sucedido somente quando este oferece reconhecimento através de suas gravações, o que implica a presença de toda uma indústria por trás dando suporte. 
Uma decorrência natural de uma trajetória de carreira que se inicia vencendo um concurso importante, fazendo alguma apresentação de destaque, chamando a atenção da crítica, assinando com uma gravadora e passando a receber mais convites para apresentações, que quanto mais bem sucedidas, mais acesso alcança nas agendas de importantes teatros e salas, e mais probabilidade de um selo de primeira linha se interessar. 
A forte conexão existente no mercado entre gravadoras, empresários artísticos, agências de concertos, festivais e as grandes salas de concerto, levam o músico a se submeter a um modelo de negócio que, se por um lado pode ser predatório financeiramente, por outro, ajuda a construir uma imagem internacional do artista bem mais rápido.

São raríssimos os casos, após a década de 50, em que um músico se estabeleceu no panorama concertista internacional, sem antes ter sido chancelado por uma gravadora de prestígio, o que funciona como uma espécie de certificação de qualidade e de presença de público.

Casos, como os que se deram no passado, a exemplo de um Artur Schnabel ou Wilhelm Furtwängler, em que o reconhecimento artístico precedia um registro fonográfico relevante, são praticamente inexistentes.
E outra coisa, a maioria deles mesmo sem ter gravado um grande álbum ou de ter assinado com uma grande gravadora, já tinham algum tipo de gravação comercial.

Um grande teatro ou sala, carrega uma espécie de ‘reputação’, e jamais a coloca em risco se não existe uma gravadora por trás do artista minimizando, com o apoio de vendas, de comunicação e de boas críticas, o risco de apresentações com baixo público. Mesmo assim, nem sempre todo esse ‘esforço’ é garantia de sucesso. Inúmeros casos já o provaram.

Conseguir lotar as grandes salas e teatros, sem nenhum registro fonográfico existente e sem a ajuda da indústria, apoiado unicamente no próprio talento, no impacto de suas cobiçadas apresentações, no marketing pessoal, no carisma que tinha e na conexão que estabelecia com o público, através de suas interpretações, de seu brilhantismo técnico, de sua musicalidade e capacidade de comunicação, pode ser considerado um feito histórico de Darcy Villa Verde no mundo do violão.

Darcy Villa Verde tinha uma visão bastante crítica com relação a forma com que a indústria da música operava contratualmente, e decidiu fazer carreira de forma independente, o que lhe exigiu muito mais trabalho, esforço e dedicação, mas que em contrapartida lhe garantiu, por suas habilidades, maior projeção e reconhecimento por parte do público e da mídia, e, acredita-se, maior retorno financeiro. 

Diversos músicos, profissionais do setor, colunistas e críticos daquela época, ficaram sem entender como ele conseguiu alcançar tanta projeção e reconhecimento internacional, ser tão requisitado pelas grandes salas e teatros, e pela mídia, sem ao menos ter um único disco gravado no mercado; fazendo tudo de forma independente. 
Estamos nos referindo, não só a sua capacidade de lotar as principais salas e teatros internacionais reservados prioritariamente a apresentações de grandes orquestras, corpos de balé e óperas, o que pouquíssimos violonistas conseguiram.
Nos referimos também a toda uma agenda que contemplava teatros municipais, salas de concerto, instituições culturais, casas de show, boates, 
e a um sem número de apresentações feitas em auditórios de programas de TV e de Rádio, com alto índices de audiência.

Esse fenômeno, a maioria pode entender, não agradou em nada a muitos ‘players’ do setor, em sua época. E não estamos, aqui, nos referindo aos seus pares.

É evidente, olhando para o futuro, que essa decisão de Darcy Villa Verde em não gravar, não lhe retiraria o mérito de tudo o que construiu como músico e artista, muito menos de todo um legado que viria a deixar, mas com certeza lhe cobraria um preço. 
Sabia que no momento que resolvesse parar, seu nome desapareceria da mídia, permanecendo, apenas, registrado na memória daqueles que o acompanharam ao longo de sua trajetória profissional.

Contudo, a pergunta permanecia na mente de muitos: 

Como é possível um músico concertista ‘clássico’, ‘violonista’ e tocando ‘solo’, conseguir a proeza de se projetar da forma como se projetou, lotando as salas e os teatros, conquistando diferentes perfis de público, estar sempre presente nos principais veículos de mídia, e ser constantemente convidado a participar dos principais canais e programas de TV e Rádio de maior audiência no IBOPE, com ‘Séries Especiais’ dedicadas a ele, e conseguir tudo isso sem pagar um centavo a ninguém, em plenos anos 60 e 70? “

“Como conseguiu replicar esse modelo na Europa e nos EUA, levando em conta que no exterior o mercado sempre se apresentou altamente competitivo, extremamente profissionalizado, restrito e exclusivo a quem fazia parte da indústria da música?”

O Artista

Uma das coisas que sempre chamou a atenção a respeito de Darcy Villa Verde, e que constantemente fazia parte das matérias a seu respeito sobre os recitais e concertos que dava, era o impacto que suas interpretações causavam no público, e a repercussão disso na mídia especializada e geral.
Tratam-se de declarações que chamam muito à atenção pela forma como são descritas.
Declarações que transparecem até um certo exagero pela intensidade com que são narradas e que vão transbordando da memória daqueles que assistiram seus recitais e concertos, uma impressão e experiência emocional que destoa completamente do esperado para um concerto de violão clássico. Declarações que se somam a depoimentos e críticas, que refletem sempre grande admiração.

Segundo relatos, seu domínio instrumental e técnica, adquiridos desde muito cedo, somado a um temperamento muito intenso e a toda uma preparação cuidadosamente elaborada, se comunicavam com o público de tal maneira que tornava cada apresentação sua, algo muito envolvente e memorável.

Era toda uma preparação que ele mesmo cuidava de elaborar.
Se iniciava na montagem de toda uma infraestrutura para divulgação e suporte de cada uma das apresentações que fazia; no trabalho de marketing desenvolvido para divulgação de sua marca; nos depoimentos e entrevistas que dava antes e depois de suas apresentações; nas coletivas com a imprensa nos hotéis e aeroportos; nas visitas que fazia, junto a sua equipe, às redações dos jornais e rádios que antecediam os recitais e concertos; nos programas que conseguia nas emissoras de TVs e Rádios; na criação de um repertório que atingisse o maior perfil de público possível; no cuidado com a sua apresentação pessoal – condicionamento físico, descanso planejado, alimentação adequada e 
vestuário –; na quantidade de horas de estudo e de aquecimento que antecediam cada recital e concerto; nos comentários que antecediam e apresentavam cada uma das peças tocadas – comentários informativos e ilustrativos -, e nas histórias que contava sempre ajudando a quem o assistisse ou o entrevistasse, a adentrar seu mundo musical e artístico.

Seu carisma e magnetismo em público, aliados à sua capacidade de exprimir as próprias emoções nas interpretações que fazia, somados aos seus comentários sobre o repertório que tocava, chamavam muito a atenção e viravam assunto entre os músicos e concertistas que o assistiam. 
Violonistas e amigos, profissionais e críticos, reagiam, entre admirados e descrentes, diante do que presenciavam, comentando que estavam testemunhando algo realmente inusitado.
Já outros, pela fidelidade que mantinham aos protocolos e parâmetros vigentes da época, não entendiam bem o que tinham acabado de presenciar e censuravam declarando que o fato dele ser quem era não lhe dava o direito de  transformar um recital num espaço de educação musical, artística e social. 

Um crítico chegou a escrever ao final de sua coluna: “Quem quiser saber a respeito do que vai ouvir, que deixe o conforto da ignorância e se informe antes de sair de casa!”. 
Darcy considerou esta pequena ‘nota’ muito ofensiva e desrespeitosa com o público e com ele, mesmo a matéria tendo falado muito bem de suas interpretações.

Tratavam-se de iniciativas que apesar de atualmente serem vistas com naturalidade e interesse por parte público, quando feitas por Darcy, nas década de 60 e 70, causavam uma ‘quebra de protocolo’, pelo ineditismo.
Isso, feito por um único violonista, que passou a decidir, por conta própria, como um recital ou concerto de violão poderia vir a se desdobrar, era visto como uma certa ousadia e prepotência; uma atitude descabida que não coadunava ao perfil de um concertista clássico.

O público porém, aclamava. 

Naturalmente pelo tamanho que alcançou como músico e artista, pelo reconhecimento e respeito que conquistara por parte dos músicos em geral e violonistas, e pela enorme cobertura que desfrutava na mídia, esses poucos detratores se contiveram e decidiram por manter suas observações mais restritas a pequenos círculos de conversas.
Diante das milhares de matérias que sempre valorizaram o seu trabalho, suas performances e o seu método de divulgação cultural no campo da música, ao longo dos anos, foram raríssimas as ocasiões em que alguém se pronunciou na mídia com esse pensamento crítico.

Para Darcy Villa Verde, cada apresentação deveria se justificar pela capacidade de envolver e impactar intelectual e emocionalmente o público; de proporcionar, ao vivo, uma experiência única.
Sua atuação no palco – interpretações, musicalidade, domínio técnico, comunicação – se prestava a esse fim, com muita propriedade.

Na sua forma de pensar, se o músico não tivesse devidamente preparado, não deveria aceitar nenhum compromisso para não incorrer no risco de decepcionar a si próprio e ao seu público. Ambas, as circunstâncias, com consequências bem ruins e difíceis de administrar.

Tais características o fizeram ser muito requisitado por um perfil de ouvintes mais seletivos de sua época, levando-o a se apresentar em reuniões privadas que podiam variar de 10 a 50 ou 100 pessoas. Todos desses grupos, formados por apreciadoras da arte e da música; um público mais intelectualizado e extremamente criterioso com relação a música clássica e erudita. 
Não importa onde estivesse, Darcy sempre era convidado a se apresentar nessa reuniões que passaram, de uma certa forma, a fazer parte de seu ‘métier’, e a influenciá-lo na forma de ver e explorar um recital de violão. 
Esses recitais dirigidos a um público mais fechado, assumia um formato de apresentação que Darcy apreciava muito. 
Os ambientes, sempre escolhidos em locais de boa acústica, eram os salões principais das casas, apropriados para recitais e eventos. Eram, comumente, ambientes bem espaçosos, o que permitia dispor as cadeiras em formato italiano semi-circular dando uma boa proximidade e visibilidade do artista em sua apresentação.  
Essas apresentações permitiam vivenciar o que ele mais gostava; se apresentar sob olhos mais aguçados e críticos quanto ao repertório e a técnica que apresentava. 
A conexão, dizia ele, “Era total!” 
Isso lhe dava uma nova ótica de valoração a respeito de como vinha desenvolvendo o seu trabalho.

A diferença, frente ao que estava acostumado a fazer no Brasil, quando mais novo, era que estas apresentações mais reservadas, as quais começaram a se dar em Paris e na Europa, ocorriam em ambientes de um público que fazia questão de testemunhar de perto uma quebra de paradigma no mundo da apresentação da música clássica.

Valorizavam mais a música e a musicalidade do artista do que os protocolos que aprisionavam os recitais e concertos a apresentações austeras, frias e distantes.

Eram recitais importantes; transcorriam em ambientes solenes, com trajes formais ou de gala – casaca, fraque ou smoking -, com a presença de membros da alta sociedade, na presença de importantes empreendedores e personalidades do mundo político e da arte, mas que se deixavam envolver pela descontração, simpatia e por uma certa informalidade da qual conversava muito bem com o espírito de Darcy Villa Verde. 

Alguns desses encontros eram promovidos por instituições e organizações internacionais; financiadas por grupos de empresas e de grandes empresários como Monsieur Gerard, diretor geral da ‘Editeur Hachette’, – maior editora da França e principal grupo de mídia francês -, ou até pela realeza de algumas nações, entre outros tantos apreciadores e patrocinadores da cultura e da boa música que se reuniam para assisti-lo. Um hábito perpetuado através dos tempos na sociedade francesa e europeia, muito valorizado na década de 50 e 60, e que ainda se encontra vigente, ocorrendo preferencialmente em ‘círculos’ privados.

Participaram de algumas delas, o presidente francês Charlles de Gaule; a princesa marroquina Lalla Fatima Zohra, filha do Rei Mohammed V; o virtuose do violino David Oistrakh, que declarou ser Darcy Villa Verde o ‘Paganini’ da guitarra; o diplomata, músico e poeta Vinicius de Morais que chamava sempre Darcy a se apresentar em seus círculos de relacionamento; os famosos e ainda jovens Jean Paul Belmondo e Allain Dellon, dois dos mais proeminentes atores de seu tempo; o célebre Jean-Pierre Rampal, conhecido por resgatar a flauta ao universo da música clássica solo; Maurice Chevalier, considerado na época um dos mais famosos cantores do mundo, além de renomado ator; Mireille Mathieu, famosa cantora da época, condecorada com a ‘Légion d’Honneur’; a empresária e cantora Régine Zylberberg que criou o conceito de ‘discotheque’ lançando em Paris o ‘nightclub’ mais famoso do mundo, o ‘Chez Régine’, que reunia a nata da High Society internacional, aliás, uma das responsáveis por introduzir Darcy Villa Verde nas rodas VIPs mais importantes da Europa; a cantora e bem sucedida empresária Renée Lebbas, que passou a empresariar Darcy Villa Verde, aliás, responsável por convencê-lo a assinar um contrato com a gravadora francesa ‘Pathé-Marconi’, – maior gravadora da França – para lançamento de 3 LPs de musica clássica; entre muitos outras personalidades que o assistiam nessas ocasiões tão especiais e raras quanto disputadas, e que passaram a fazer parte de seu universo de apresentações e relacionamentos.

Toda essa experiência, influenciou muito Villa Verde com relação a como conduziria seus recitais e concertos, a partir de então. 

Darcy, inclusive, tomou conhecimento que muitos músicos consagrados preferiam essas apresentações privadas pelo quanto que remuneravam – mais que os teatros -, por ocorrerem em ambiente totalmente propício ao perfil de seus trabalhos – nível elevado de interesse, compreensão e apreço musical -, e por conta das inúmeras personalidades presentes, que posteriormente terminavam comparecendo em seus recitais e concertos, aumentando a mídia expontânea.  

“Após minhas apresentações nos recitais, era levado a conhecer todas essas personalidades que só conhecia da televisão, e que agora estavam ali paradas me ouvindo, admiradas com a minha arte, com a minha música.
Ou então, me surpreendia ao rever alguns deles, que já tinham me assistido na casa de algum desses aristocratas que me contratavam, entrando no camarim para me parabenizar.
Rapaz, isso mexe com a gente.
Imagina! Para alguém como eu que vivia uma vidinha simples no Rio de Janeiro, de uma hora para outra, estar em Paris recebendo os cumprimentos de artistas internacionais e de personalidades da alta sociedade parisiense, é uma loucura.

Esses encontros mais ‘privée’, que se tornaram cada vez mais frequentes em sua vida profissional, levando-o a ser cada vez mais solicitado em função de suas procuradas interpretações, terminou por conquistar a atenção e o coração de um seleto grupo de empresários e diretores do setor da música erudita, em Paris, o que lhe garantiu ingresso imediato nas agendas dos teatros mais disputados da música clássica. 
Se por um lado as oportunidades começavam a surgir abrindo-lhe portas importantíssimas, por outro, precisava cumprir as agendas que ia assumindo, o que o levou a precisar diminuir o ritmo desses recitais mais exclusivos.

Essas experiências foram muito importantes para Darcy Villa Verde, por levá-lo a entender que a ‘alta sociedade’, uma das responsáveis na formação de tendências e opinião, cultuava a cultura e a educação clássica de uma forma séria, mas ‘leve’ e ‘inteligente’, privilegiando a inovação e a acessibilidade, ao invés de se tornar refém de conceitos velhos que, mesmo evoluindo através da história, são resgatados para justificar a opinião de alguns que preferem aprisionar e manter a música clássica ‘estacionada no passado’.
Darcy sempre soube que a arte tem esse poder inovador e renovador.
E a suas, eram apresentações que ofereciam uma sofisticada diluição entre o clássico e o popular, com o mesmo nível refinado de erudição musical. Reuniões que de tão bem desenvolvidas, apreciadas e íntimas, nem transpareciam ser financiadas.

Nesses ‘encontros’ grandes nomes da música que Darcy Villa Verde reverenciava, o assistiram e se encantaram profundamente com a sua música, chancelando, dessa forma, sua arte e criatividade para a posteridade.

Muito inusitada e emocionante a experiência de observar um músico como David Oistrakh, visivelmente admirado, pela interpretação que dei às peças de Bach e Albeniz.
Já o conhecia de nome, assim como a Jascha Heifetz. Meu pai sempre falava dos dois como duas lendas vivas do violino, principalmente de Heifetz.

Todas essas emoções que presenciei e vivi viravam música nas minhas mãos.
Não tenho como descrever essas impressões que passaram a fazer parte da minha vida, de uma hora para outra, e que foram abrindo portas para toda uma rede de relacionamento que me lançou como concertista e que ajudou a me consagrar profissionalmente.
Meu pai estava certo, o que o violão bem estudado me concedeu de retorno, foi
 incomensurável.
Bastou sentar e forjar o meu talento a temperaturas muito altas de horas de estudo, de dor, de perdas, e do tempo.

O próprio Darcy Villa Verde confessou mais tarde, que tudo neste período de sua vida aconteceu de forma tão surpreendentemente rápida, grandiosa e extraordinária, que o pegou de surpresa.
Que 
se tivesse tido um pouco mais de visão, poderia ter potencializado ainda mais as oportunidades.
E após dar por concluída a entrevista, terminou suspirando o seguinte pensamento:

– “Pra quem saiu do Méier, chegar em Paris e fazer o que eu fiz, sem recurso e com o estado emocional destroçado por tanta tragédia que vivi, até que eu fui bem”, e sorriu.

Se dirigindo ao repórter que o olhava um tanto admirado e curioso, exclamou:

– “Inacreditável, rapaz, te falo, foi inacreditável o que vivi e passei. Parece mentira. Só de lembrar me emociono.

Villa Verde tocou em praticamente todo o Brasil, no Uruguai, no Paraguai, na Argentina, em grande parte do Estados Unidos, na França, em Portugal, Espanha, Bélgica, Itália, Suíça, Alemanha, Checoslováquia, Hungria, Turquia, Bulgaria, Grécia, Eslovaquia, Ucrânia, Lithuania, Bielorussia, Estonia, Letônia e em diversas cidades da atual Russia e de cada um desses países. Até a céu aberto no sertão nordestino tocou.
Morou nos Estados Unidos, na França, no Brasil e Espanha. E chegou a permanecer algumas temporadas em outros países como a Bélgica, Suíça, Italia e Argentina. Se apresentou em alguns dos mais importantes teatros desses países, como também em todo espaço reservado a promover a educação e a cultura. Onde quer que fosse. 

Afeito a conhecer o novo e a viajar pelo mundo sem permanecer muito tempo em um único lugar, de espírito livre e cidadão do mundo, viajou pelo mundo e dele guardou as mais belas lembranças e aprendizados. A maioria deles, inusitados e surpreendentes pela forma com que se deram, e grandiosos pelas experiências que proporcionaram.
A constante presença de um público que, do interior do sertão aos teatros mais solenes, sempre o reverenciou e marcou presença, se tornou a sua marca.

Contudo, é importante ressaltar que para Darcy Villa Verde, três momentos de sua vida artística foram significativos e o marcaram para sempre. Momentos que o amadureceram ainda mais como músico, artista e concertista. 

O primeiro deles, Paris.

PARIS

A premiação de Darcy Villa Verde no VIII Concours International de Guitare em Paris, em 1966, abriu-lhe subitamente as portas para o mundo da música clássica internacional de uma maneira que jamais se poderia imaginar.
Isso porque, como veremos, o evento se converteu em um feito no qual o resultado assumiu uma proporção muito maior do que o próprio concurso, que a propósito era o mais importante do mundo na época.

Contudo, para se abordar a questão do concurso de Paris, é preciso voltar um pouco mais de três anos antes.


1962

Rua Comandante Rubens Silva, 62, Freguesia, Jacarepaguá, Rio de Janeiro. 

Tudo se deu de uma forma muito inesperada.

Atendendo a insistentes pedidos de Geraldo Villa Verde, tio de Darcy, Jacob do Bandolim concedeu uma oportunidade de Darcy Villa Verde se apresentar em um dos seus saraus musicais. Coisa raríssima de acontecer sem que Jacob tivesse ouvido o músico antes.
Geraldo era músico, violonista acompanhador e tido em grande conta por Jacob do Bandolim. Eram amigos e muito próximos. Jacob frequentara por anos os saraus na casa de Eugênio Villa Verde, pai de Geraldo e avô de Darcy.

Diante de sua insistência, e sabendo que Geraldo era sério com relação a música, resolveu abrir uma exceção e terminou autorizando-o a convidar o seu sobrinho Darcy a participar.
Isso se deu por volta de novembro de 1962.

No dia em questão, Jacob do Bandolim estava recepcionando em sua casa o violonista uruguaio Oscar Cáceres que tinha vindo ao Brasil se apresentar.
Darcy chegou meio às apresentações com o seu MG, adentrou o jardim da casa de Jacob, quebrando o silêncio estacionou, saiu do carro com seu violão e o volante na mão e entrou acompanhado de seu tio que foi recebê-lo.
Jacob não reconheceu Darcy, de pronto, e estranhou a chegada um tanto eruptiva, em meio ao clima das apresentações, de alguém trazendo um violão e um volante de carro na mão – Darcy tinha receio que lhe roubassem o carro que tinha vindo da Inglaterra e automatizou o hábito de removê-lo, levando-o onde fosse.

Jacob, que todos já conhecemos pelas biografias feitas, era um homem sério e tradicional, e vendo Darcy chegando daquela maneira num carro esporte, conversível, ainda muito jovem, bronzeado, sorridente, temperamento forte e muito irreverente e confiante, destoando da formalidade que ele, Jacob, imprimia nas reuniões que promovia, foi pego de surpresa e podemos até dizer que não gostou muito – confessou mais tarde.

Geraldo Villa Verde, seu tio, se aproximou e o apresentou formalmente a Jacob, que por sua vez percebeu em poucos segundos que aquele ar de playboy da zona sul praiana era precedido pelo mais profundo respeito e educação que sempre foi o cartão de visita de Darcy a todos que o conheciam.
Logo após, Jacob deu continuidade às apresentações musicais.
Darcy, que aguardava sentado e a tudo observava, acompanhava todo um protocolo de apresentação dos músicos que era conduzido pelo próprio anfitrião, esperava pelo momento de se apresentar, o que se deu logo à frente.

Os Saraus do Jacob ganharam notoriedade, até fora do Brasil, atraindo o interesse de inúmeros artistas e músicos que para ali eram trazidos e convidados.
A casa de Jacob nesse dia estava muita cheia, uma vez que o encontro se dava em homenagem ao violonista uruguaio. 

Em determinado momento Jacob se dirige a Geraldo, convidando de maneira um tanto humorada e provocativa, o seu sobrinho a tocar. 

Disse ele: 

“Geraldo, vamos ver se esse seu sobrinho toca alguma coisa mesmo!”
Jacob se levanta, pega um violão que se encontrava sobre o piano da casa, e se dirige a Darcy que agradece de imediato, mas que recusa dizendo não ser necessário pois tinha trazido o dele.

Jacob, sorri enquanto recoloca o violão de volta sobre o piano, e comenta humorado: “Vejam só, e ainda prefere o dele… “

Entre os presentes, estavam Nicanor Teixeira, Jodacil Damasceno, Déo Rian, Turíbio Santos, Dino Sete Cordas, Pixinguinha, Oscar Belandi, Paulo César Faria, Carlinhos Leite, Oscar Cáceres, entre muitos outros músicos e artistas conhecidos e convidados. 
De alguns, temos depoimentos gravados.

Quando Darcy, devidamente autorizado por Jacob, pegou o violão e começou a tocar,, “surpreendeu a todos pela sua alta musicalidade, destreza técnica e criatividade em arranjos próprios de inúmeros choros e valsas conhecidas.”
Pelas palavras de Déo Rian, “Ninguém esperava aquilo que aconteceu.”

De imediato, Darcy Villa Verde abriu sua apresentação com a peça ‘Se Tu Soubesses’ de Jeorge Moram e Cristovão de Alencar, em um arranjo de sua autoria.

Jacob que era extremamente sensível, foi tomado por uma comoção tão profunda diante da interpretação de Darcy que começou a passar mal interrompendo a apresentação.
Darcy que estava concentrado, não percebendo o ocorrido é interrompido pelos participantes enquanto Jacob sai carregado pelos convidados e familiares em direção aos cômodos da casa.

A preocupação foi grande porque Jacob do Bandolim trazia problemas de coração e já tinha sido hospitalizado, anteriormente, por conta de um infarto.

Passado algum tempo, já restabelecido, Jacob mandou chamar Darcy na cozinha e, muito emocionado abraçou-o se desculpando pelo inconveniente, dizendo que era muito emotivo e que sua interpretação o tinha tocado de tal maneira que ele não aguentou.

Meia hora depois, Darcy é convidado mais uma vez por Jacob, já recomposto, a retornar à sua apresentação que se estende por mais de uma hora.

Dizem alguns biógrafos e participantes que Jacob se rendera ao talento de Darcy para sempre, e que viraram grandes amigos. De fato.
E no intuito de oficializar um registro, Jacob gravou Darcy algumas vezes em sua casa e insistiu muito para que ele gravasse um disco, o que se deu tempos depois. Hoje, um artigo raro de colecionador.

Ambas as gravações podem ser acessadas aqui no site.
As gravações feitas pelo Jacob em sua casa, que inclusive trazem peças clássicas, atualmente fazem parte do acervo do Instituto Jacob do Bandolim e foram gentilmente cedidas pela direção do Instituto a este projeto em nome da cultura e em homenagem a este memorial de Darcy Villa Verde.

A propósito, a música, em questão, que tanto o emocionou, consta nas gravações de Jacob e no compacto duplo de Darcy Villa Verde, feito sob insistentes pedidos do próprio Jacob do Bandolim. 

Como Darcy era movido por pura emoção, em função do envolvimento do ambiente e do próprio estado de espírito do momento, suas interpretações ao vivo ganhavam uma narrativa toda única, algo difícil de descrever.
Disse Jacob, depois de ouvir a gravação do disco, que a interpretação de Villa Verde estava perfeita, mas que a feita em sua casa, naquela noite era maior; ia na ‘alma’.

Em conversa com Déo Rian, seu amigo e aquele que viria a ser o seu sucessor assumindo a liderança do renomado conjunto ‘Época de Ouro’, Jacob do bandolim confessou que não esperava por aquilo. Que não fazia ideia do tamanho do talento de Darcy e de sua musicalidade. 
Chegou a comentar que Geraldo Villa Verde tinha pregado uma ‘peça’ nele.
Geraldo, posteriormente, justificou que queria apenas uma oportunidade para que seu sobrinho, de quem era profundo admirador, pudesse demonstrar o seu talento, a sua arte e o seu trabalho. E que graças ao próprio Jacob, isso se tornou possível.

Jacob convidou Darcy Villa Verde algumas vezes para poderem conversar reservadamente sobre música. Queria entender os conceitos que Darcy Villa Verde trazia sobre música e sobre as suas interpretações. Conversas, essas, que se deram ao longo do tempo e que foram, segundo Darcy, muito agradáveis e algumas delas até gravadas.

Importante considerar que Jacob do Bandolim já conhecia Darcy da casa do avô dele, Eugênio Villa Verde, que foi um dos precursores dos grandes saraus e encontros musicais que se deram no Rio de Janeiro, antes mesmo do início do século XX.
Saraus, que vale registrar, foram iniciados pela sua mãe Eugênia, exímia pianista que chegara da Europa em meados do séc. XIX. 

Só que a lembrança que Jacob do Bandolim tinha de Darcy era a de uma criança prodígio tocando um extenso repertório aos 10 anos. 
Jacob, não podia imaginar que Darcy tivesse amadurecido musicalmente daquela maneira. 
Já homem feito, com 28 anos e estudando violão clássico com Oswaldo Soares, há um pouco mais de 3 anos, Darcy Villa Verde trazia um acervo e amadurecimento interpretativo musical, tanto no popular quanto no erudito, totalmente diferenciado e desconhecido para a maioria dos presentes, uma vez que seu professor Oswaldo, tinha-lhe pedido que se afastasse de todo tipo de reuniões musicais, saraus e encontros boêmios que pudessem distraí-lo do seu objetivo de se tornar um concertista clássico de violão.

Anos depois, mais precisamente em 1965, em um desses encontros na casa de Jacob, meio às conversas que deram sequência ao ocorrido três anos antes, Darcy, que segundo alguns estava tocando uma ‘barbaridade’, foi incentivado pelos violonistas e músicos presentes, a participar do ‘Concours International de Guitare d’Interprétation’ ORTF, em Paris, ouvindo de Turíbio, que tinha ganho o concurso naquele ano – 1965 -, que com a sua técnica, qualidade musical e interpretação, Darcy certamente poderia vencer no ano seguinte.

Seu professor Oswaldo Soares, quando soube de seu intento o aconselhou a esperar um pouco mais para poder amadurecer uma parte teórica que ele ainda não dominava, a ‘leitura à primeira vista’ – tocar ao mesmo tempo em que lê uma partitura desconhecida -, pois este quesito do concurso era ‘obrigatório’ e ‘eliminatório’.

Darcy, que neste momento, já vinha estudando com Oswaldo Soares, há mais de 5 anos, e que já vinha dominando um repertório para violão clássico considerado dos mais difíceis, todas as peças escolhidas pelo próprio Darcy e selecionadas a partir do repertório de Andrés Segovia, se deixou levar pelo decurso de prazo – ter iniciado o violão clássico com quase 30 anos – e pela empolgação dos músicos e amigos que frequentavam a casa de Jacob, decidindo ir a Paris concorrer no ano seguinte, em 1966, no evento que o marcaria para sempre.

O impacto que Darcy causou no Jacob e em todos os músicos, foi justamente o que o encorajou a participar do concurso. Até porque, apesar de ter comentado com todos a respeito de sua restrição em termos de leitura à primeira vista, foi informado de que esta etapa era algo bem ‘simples’ de resolver e que tinha um peso menor no concurso.

Um conhecido de Darcy que morava em Paris na época, foi quem inscreveu Darcy Villa Verde no concurso.

Quando Darcy foi selecionado entre os participantes de todo o mundo como um dos cinco finalistas a disputar o primeiro lugar no Concurso Internacional de Violão de Paris de 1966, duas circunstâncias se deram:

A primeira, que seu professor Oswaldo Soares tinha acabado de falecer, e partiu sem saber que o seu mais eminente aluno tinha sido classificado para a final do maior concurso de violão na época.

A segunda, é que enquanto os outros tiveram vários meses para estudar as peças de confronto para a primeira fase do concurso que se daria ao final de janeiro do ano em questão, Darcy só teve 4 semanas.
Por algum motivo, – segundo Darcy – a pessoa encarregada de mandar de Paris as partituras das 4 músicas obrigatórias de confronto, só conseguiu fazê-las chegar às suas mãos 30 dias antes da data de gravação no consulado francês, para o devido envio da fita K7, à Paris.

Darcy chegou a reconsiderar sua participação.
Um mês para ‘tirar’ e trabalhar quatro músicas para confronto num concurso internacional de violão, e ainda sem ter leitura à primeira vista, podia comprometê-lo.
Mas sua esposa, acima de tudo, e os músicos amigos o encorajaram dizendo que tanto esforço em prol de um ideal, alimentado com tantas horas de estudo e uma promessa no leito de morte de seu pai, de fazer render qualquer obstáculo para se realizar profissionalmente, não poderia ser prorrogado por uma circunstância que apesar de difícil poderia ser contornada com seu dom, força de vontade e determinação, que todos já conheciam.

Darcy, apesar de tudo, não ficou sem um tutor, pois a professora Adolfina Raitzin de Távora, mais conhecida por Monina Távora, a mesma responsável pela preparação do Duo Sérgio e Eduardo Abreu e, mais tarde, do duo Sergio e Odair Assad, se encantara com seu talento e depois de ouvi-lo em uma audição, aceitou ajudá-lo no amadurecimento de seu repertório erudito e das peças de confronto e de livre escolha para o concurso antes mesmo do falecimento de Oswaldo Soares, uma vez que ele já não se encontrava bem de saúde.

Darcy sabia que Oswaldo o tinha preparado para tocar o repertório que escolhera, mas ainda faltava amadurecimento interpretativo que só um guitarrista profissional e internacional seria capaz de ensinar. Alguém com muita musicalidade e que ele julgasse à altura da tarefa. Afinal, uma coisa é se preparar para tocar uma música clássica em pequenas audições, recitais e entre amigos. Outra, é se apresentar em um recital internacional, para milhares de pessoas e diante de músicos profissionais e críticos que irão  tecer uma visão musical e analítica a respeito de sua técnica, de sua interpretação e de um posicionamento profissional diante do mundo.
Sabendo que Monina Távora tinha sido aluna de Segóvia, Darcy, ainda aluno de Oswaldo Sores, decidiu ir até ela pedir por ajuda.

“Oswaldo Soares me deu o princípio, me deu ‘dedos’ para o a música clássica. Mas eu ainda não era tão forte no refinamento interpretativo do erudito, e foi Monina Távora, naquele ano, 3 vezes por semana, que me preparou, que me deu ‘maturidade’ para interpretar as peças que trazia e que ainda incluiria. Para tocar, por exemplo, uma Chaconne de Bach, uma Sarabande de Händel, como precisam ser tocadas. São músicas muito difíceis de serem compreendidas e interpretadas.”

Peças como a Gavotte, Courrante e Chaconne de Bach, Sarabande e Minuetto de Händel, Preludio, Allemande, Ballet e Gige de Ponce/Weiss, outras de Roncalli e Fernando Sor, entre tantas outras que já vinham sendo trabalhadas há anos por Darcy, receberam um apuro interpretativo, permitindo a Darcy dominá-las musicalmente de forma madura, montando um repertório de impacto internacional. 

As quatro peças obrigatórias para a segunda etapa da final do Concurso que ocorreria em final de maio, e que incluía o grande Prelúdio de Bach em Mi Maior BWV 1006a, também precisaram ser memorizadas rapidamente, para serem amadurecidas.

Duas semanas antes de embarcar para Paris, Monina Távora repassou exaustivamente todas as quatro peças de confronto para a final do concurso, mais as peças de livre-escolha, dando-lhe direção segura, para a competição.

Para poder ir a Paris, Darcy Villa Verde precisou levantar recursos para a viagem, uma vez que o Ministério das Relações Exteriores, que arca com as despesas de um evento desta natureza, alegou estar sem verba para mandá-lo à Paris. 

Com a ajuda de um grande amigo, importante escritor, que o admirava e gozava de muito prestígio no Ministério das Relações Exteriores, Darcy conseguiu a passagem e a estadia em Paris, concedida pelo Itamaraty.

Mesmo com a questão parcialmente resolvida,  Darcy resolveu manter a proposta de fazer um grande concerto antes de seguir viagemO recital ajudaria a financiar as despesas de sua viagem, que não tinha previsão de retorno, e ao mesmo tempo ajudaria a amadurecer sua performance em palco. Queria isso. 

A sugestão do local veio da própria Monina Távora: o Salão Leopoldo Miguez, na Escola Nacional de Música da UFRJ no Rio de Janeiro. O escolhera pela representatividade e pela acústica. Monina Távora, inclusive, chegou a se apresentar nele.
Disse
 Monina a ele, que este recital seria a consagração do trabalho deles dois juntos. 

O trabalho de divulgação deste recital que foi muito bem sucedido, recebeu o apoio e a ajuda da mídia, dos amigos, de algumas Instituições Estaduais e Associações como a ABV-Associação Brasileira de Violão do Rio de Janeiro, e até dos familiares.

A curiosidade era grande por parte do público, levando em conta que mesmo se mantendo reservado com relação ao que fazia, como fazia e com quem fazia, Darcy era a grande promessa de Oswaldo Soares e de Monina Távora para este concurso.

Dia 13 de maio de 1966, 21H00.

O auditório do Salão Leopoldo Miguez se encontrava lotado e já tinha fila de pessoas do lado de fora que não conseguiam entrar. 
Oficialmente, tratava-se de s
eu primeiro grande recital de música clássica, para o qual encontrava-se totalmente preparado.
Aliás, confessou, sentia-se plenamente preparado e seguro para qualquer perfil de apresentação. 

O recital, que foi um marco musical e violonístico no Rio de Janeiro, contou, além do grande público, com a presença dos integrantes da ABV-Associação Brasileira de Violão, de diversos músicos e violonistas conhecidos, de algumas personalidades que passaram a fazer parte de seu convívio como Juscelino Kubitschek, a família Carlos Chagas, o Ministro Juarez Távora, a sua professora Monina Távora e seu esposo Elysiário Távora, e de muitos outros. A maioria, amigos e admiradores de Darcy Villa Verde.

Ao final do recital, de pé sob aplausos e pedidos de bis, Darcy, – segundo seu próprio depoimento – sentia-se definitivamente pronto para Paris.

Segundo Monina, Darcy nascera para o palco e o público. Magnetizava a plateia.
Era um músico e um artista nato.

Maiores detalhes a respeito deste recital se encontra no depoimento do músico, violonista e historiador, Genésio Nogueira, que com o seu acervo de memórias e farta documentação, relata a apresentação de Darcy Villa Verde no Salão Leopoldo Miguez na Escola Nacional de Música da UFRJ em 1966, e também do concerto dado por Darcy na Sala Cecília Meirelles, quando de seu retorno da primeira tournée dos EUA, em que acabara de se apresentar no Carnegie Recital Hall, em Nova York, no início da década de 70.
Tratam-se de relatos detalhados e bem precisos com relação a descrição de cada um dos recitais e de suas respectivas interpretações, uma vez que Genésio Nogueira estava presente em ambos e a tudo documentou e deixou em depoimento.

Darcy Villa Verde sentado em seu carro na garagem da casa de Jacob do Bandolim. Foto do arquivo pessoal do Jacob, fotografada pelo próprio. Rio de janeiro, Jacarepaguá, 1962. Foto cedida pelo Instituto Jacob do Bandolim.

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