GRAVAÇÕES

GRAVAÇÕES RARAS DO CONCERTISTA INTERNACIONAL DE VIOLÃO DARCY VILLA VERDE, DISPONIBILIZADAS PARA AUDIÇÃO.

ANTES DE MAIS NADA, REITERAMOS O PEDIDO DE QUE O INTERNAUTA LEIA ANTES A HISTÓRIA DE DARCY VILLA VERDE CONTADA NESTE ‘SITEBOOK’.
E QUE O FAÇA DE FORMA CRONOLÓGICA PARA PODER COMPREENDER MELHOR O SEU TRABALHO MUSICAL. ACREDITAMOS QUE ESTA INICIATIVA AJUDARÁ A INSERIR O LEITOR NO MUNDO MENTAL E  MUSICAL DESTE CONCERTISTA, PERMITINDO QUE APROVEITE MELHOR O SEU CONTEÚDO.

Apesar do grande esforço em buscar apresentar o melhor, pedimos a compreensão de todos pela qualidade e estado de conservação de parte do material disponível. Como já dito, Darcy Villa Verde era avesso a gravações. Dessa forma, os materiais aqui apresentados se justificam mais como uma documentação de valor histórico e pedagógico.

Apenas um grupo dessas gravações traz qualidade superior, a que deixou para o seu filho no ano de 2005, o mesmo que se encarregou de produzir a gravação e este site. Nesta época, Darcy já estava aposentado, distante dos palcos profissionais há mais de 15 anos, e com a mão e o braço direito comprometidos pela doença que o levou a perder a sensibilidade dos dedos polegar, indicador e médio, subtraindo-lhe a destreza que o consagrou, pelas palavras de muitos, como um dos melhores violonistas de sua época.

Registros do seu período mais atuante nos palcos, por enquanto, só as gravações extraídas dessas antigas fitas K7, infelizmente.
São gravações amadoras adquiridas na década de 60 e 70, de maneira furtiva e arriscada durante os recitais e, por esta razão, totalmente comprometidas em termos de qualidade de captação, reprodução e de conservação, uma vez que não passaram por um processo de preservação adequado. Algumas delas, recuperadas do público nos intervalos dos recitais pela fiscalização dos teatros e abandonadas em arquivos por anos.
Já outras, são gravações de colecionadores, feitas diretamente das transmissões de entrevistas e 'especiais' de Darcy Villa Verde nas TVs e rádios, captadas com aparelhos analógicos e domésticos - fitas de rolo, gravadores de bolso ou antigos stereos 3 em 1. A maioria delas, muito sofridas pelo tempo e indevidamente conservada.

Contudo, trata-se de um material raríssimo e que, ao menos, nos dá uma ideia, mesmo que parcial, de seu trabalho até agora desconhecido pelas novas gerações de violonistas. Por conta disso, nossa recomendação de ouvirem com muita atenção, e para um melhor aproveitamento, com o uso de fones profissionais 'over ear', se possível.

As gravações e todo o material disponibilizado nesta seção, assim como em todo o site, cumprem única e exclusivamente o objetivo 'pedagógico' de ajudar na educação e formação dos futuros músicos concertistas de violão.
As gravações, aqui trazidas, são fruto do intenso estudo e trabalho de um músico e artista que podemos denominar como uma 'escola de violão erudito' em termos de repertório clássico e popular.
Nosso objetivo foi disponibilizar e divulgar este material em prol da cultura e da educação para o enriquecimento desta nova geração de músicos e violonistas que surgem e que merecem a oportunidade de verificar, por conta própria, que o violão pode, merece e deve ocupar posição de destaque nas grandes salas e teatros de concerto. Basta para isso que o profissional traga dom, talento, estudo, muito estudo, mais estudo e a capacidade de aprender a abrir o próprio espírito passando a 'sentir' antes de tocar, para finalmente por em prática a habilidade adquirida de poder interpretar a forma como sente as músicas que escolheu para o seu repertório. Ou, então, como dizia Darcy, para se tornar um verdadeiro "escravo das cordas".

Evidente, que para que todo o conteúdo deste 'sitebook' tenha sido feito, foi preciso um grande investimento e um longo tempo de direção, coordenação, trabalho de pesquisas, curadoria, redação, finalização, atendimento, comunicação, design digital, produção, sonorização e de todo um espírito de colaboração que surgiu daqueles que ajudaram o projeto no Brasil e no exterior. A todos, uma profunda e imensa gratidão.

Muitos, após verem este material, podem se perguntar como foi possível esta página se apagar da história musical do Brasil. Diremos apenas que agora ela está disponível e sem custo.

Aproveitem.

Gravações disponibilizadas para audição:

• Gravação Digital, 2005
• Gravação Compacto Duplo, 1965
• Gravações fitas K7 'AO VIVO' anos 70
• Gravação Sala Cecília Meireles 'A Grande Noite' com Isaac Karabtchevsky, 1971
• Gravação na casa de Jacob do Bandolim, 1963
• Gravação na casa de Geraldo Villa Verde e de familiares, 1964, 1991

A GRAVAÇÃO DIGITAL EM 2005

Esta gravação traz uma série de 30 peças registradas em estúdio profissional.
Um trabalho técnico, criteriosamente executado que buscou respeitar e atender as exigências e a preocupação obstinada do músico Darcy Villa Verde com relação a qualidade de reprodução da própria sonoridade.

Com profunda resistência à gravação, por acreditar que a emoção impressa numa interpretação não pudesse ser captada apesar de toda a tecnologia existente, foi preciso muito conhecimento para montar uma captação que cobrisse grande parte das nuances possíveis de sonoridade nas interpretações de Darcy Villa Verde.

É evidente, que a experiência de se estar na plateia diante de um músico e artista como ele foi única e ficará para sempre guardada no tempo e no coração de quem teve o privilégio de poder assisti-lo.
Mas a tecnologia disponibilizada para a gravação, permitiu que uma boa parte do alcance de suas variações tímbricas e tonais, e da densidade que despejava na intensidade e expressividade de suas interpretações, fossem registradas.
As ‘cores’ são únicas.
Figurativamente, dá para ‘ver’ e ‘sentir’ a emoção que ressoa das cordas de seu violão e que ficam suspensas nos sentimentos de quem se conecta com sua arte e música. 

O equipamento de captação foi de última geração, utilizada em engenharia aviônica, totalmente desenvolvido com conceito ‘high-end’ de alta fidelidade e alta performance Hi-Fi.
Customizado ao estilo e modo de Darcy Villa Verde tocar, alcançou e cobriu, dentro do próprio limite, toda a gama de frequência das nuances sonoras no exato equilíbrio em que eram emitidas e registradas pelo ouvido humano.
A captação em modo ‘flat’, com capacidade de cobertura de amplo espectro criou um registro totalmente fidedigno à ambiência sonora – baixos, médios e altos – que Darcy emitiu nas cordas do seu instrumento na hora de tocar, com todos os detalhes dos efeitos que produziu. O tempo de preparação que antecedia a gravação de cada uma das músicas era muito grande, para que Darcy pudesse se concentrar e simular intima e mentalmente o processo que executava no palco, ao vivo.

A forte imponência dos graves – linha dos baixos – que sempre foi uma das principais características de Darcy Villa Verde em sua forma de tocar, foram mantidas.
Mesmo diante da preocupação em mantê-los, pelo fato de serem muito presentes, foi evitada uma equalização que buscasse ‘ajustes’, o que descaracterizaria sua sonoridade.”

Uma possível masterização para equalizar, modular e ambientar o som num ‘modo’ padrão, visando fins mais comerciais de otimização e adaptação a diferentes dispositivos foi descartada, no intuito de se preservar toda a autenticidade sonora registrada que o representa e que o encantou, além de possibilitar ao leitor usufruir dessa experiência.

Diante de todo o exposto, recomendamos para uma melhor audição e
apreciação, o uso de Headphones ‘Over-Ear’ com isolamento acústico.
Não só para as gravações digitais, como, também, para aquelas feitas de forma  ‘amadora’ em fitas K7.
Os Headphones das séries profissionais comumente utilizados em estúdios de
som, podem reproduzir com mais fidelidade e equilíbrio todo o resultado obtido.
Sugerimos a série profissional da AKG ou similares.
Já  os fones ‘in ear’ ou intra-auriculares não apresentaram nos testes, resultados tão precisos, uma vez que já vêm com uma equalização de reprodução pré-programada, privilegiando os médios e altos. Isto, mesmo nos intra-auriculares portadores dos recurso de ‘Mega Bass.

Aos 70 anos de idade, depois de muitos anos parado em função da síndrome que o acometeu, Darcy estuda ininterruptamente por 5 anos, oito horas por dia, suportando todas as dores de sua doença, e após gravar no limite de suas forças 30 peças de seu repertório, devolve-o ao estojo para sempre.

Quando Darcy ouviu todo o seu material gravado, suspirou e considerou sorrindo:

“…É, não temos um Villa Verde de 30 anos atrás, mas temos um músico maduro. Mesmo assim, meu filho, não mostrem isso a ninguém, por favor. Ao menos, enquanto eu estiver vivo! Não reflete quem fui, só o que restou de mim.”

Ao longo deste trabalho foram utilizados Headphones Over-Ear, AKG, Série Pro K701 e K712.
Sem querer transparecer indelicadeza, todo este cuidado e atenção com relação aos ‘Phones’, cumpre apenas oferecer aos mais interessados e aficionados por qualidade, uma entrega sonora, mais fidedigna. Nas gravações digitais, pelo fato de
 Headphones comuns não conseguirem reproduzir detalhes que Headphones profissionais conseguem, o que revela mais da rara e apreciada sonoridade que Villa Verde conseguia desenvolver no violão. Nas gravações de fitas K7, por trazer mais presente o que a baixa qualidade das fitas ‘afogam’ pela mal estado de conservação. Isso, evidentemente, não impede que cada um ouça as gravações da forma como quiser, com os fones que puder dispor, apesar da grande perda que isso irá gerar.

 

MÚSICAS DA GRAVAÇÃO DIGITAL, 2005.

A série de gravações, abaixo, não contempla todas as peças gravadas no ano de 2005.
Havendo interesse, poderemos, gradualmente, ir postando as demais. De princípio, 14 peças serão disponibilizadas. Basta clicar nos links para ouví-las.

GRAVAÇÃO COMPACTO DUPLO, 1965.

Esta é uma gravação de um compacto duplo que Darcy Villa Verde aceitou fazer sob insistência de Jacob do Bandolim e amigos que se encantaram com as suas interpretações e arranjos que criou para inúmeras peças populares do samba, da valsa e da bossa-nova.
Entre risos e provocações, disse Jacob a Darcy que não pararia de insistir até que ele o fizesse.
Depois de 2 anos, aceitou gravar. Mas apesar de todos terem adorado o resultado, não guardou boas lembranças da experiência. Não gostou da qualidade sonora, das mixagens e das edições feitas, além de não ver o repertório popular com o mesmo grau de seriedade com que via o clássico, mesmo com todos os arranjos e harmonizações que gostava de criar para cada uma. Se referia sempre a essa gravação como uma ‘brincadeira’ de momento.

Este é o único disco comercial de Darcy Villa Verde. Esgotou a tiragem e, desde então, se tornou artigo de colecionador.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Duas das quatro músicas deste Compacto Duplo, ‘A Felicidade’ e ‘Foi Ela’,  receberam, posteriormente uma percussão que na opinião do músico Darcy Villa Verde se fazia desnecessária e que diminuíram o valor do seu arranjo que já é repleto de efeitos e timbres. Muitos, observando-o tocar, não entendiam como ele sozinho era capaz de fazer no violão toda a ambiência sonora que fazia. Esta alteração nas duas músicas mencionadas foi um dos motivos que o incomodou profundamente e que o desestimulou a pensar em prosseguir com a ideia de gravação, mesmo nos populares. A gravadora se desculpou, insistiu para que ele continuasse a parceria, mas Darcy não os atendeu mais. Jacob do Bandolim que tinha ajudado a intermediar o processo ficou triste, lamentou a decisão, mas compreendeu a situação e lhe deu razão.

GRAVAÇÕES FEITAS COM GRAVADOR DE MÃO, K 7 PLAYER, EM RECITAIS AO VIVO NOS ANOS 70.

A partir daqui, as gravações decaem em termos de qualidade de captação, por conta dos equipamentos terem sido totalmente amadores – gravadores de mão com fitas cassete, dos anos 60 e 70, analógicas e, infelizmente, não conservadas.
Todos os ruídos presentes na fita, – do próprio aparelho em funcionamento, do som ambiente, das teclas de ‘pause’, do som abafado por casacos e bolsas que escondiam os aparelhos, ficaram registrados na gravação, junto a apresentação do músico. Agravando as condições, algumas dessas pessoas que fizeram as gravações, além de inexperientes, estavam sentadas próximas a outras com crises de tosse.

Com certeza, se o senhor Villa Verde ainda estivesse entre nós, jamais essas gravações seriam trazidas a público.

A decisão de apresentar as gravações de Darcy Villa Verde, desta época, mesmo se encontrando com uma qualidade muito precária, se deu pelo seu valor histórico e cultural; para que o internauta pudesse ter uma noção, ainda que muito vaga, do trabalho deste músico que em meados dos anos 60 a 80, o fez ser reconhecido internacionalmente como "Um gênio e o seu violão divino", representando o Brasil no mundo do violão clássico e também popular. Uma vez que não encontramos nenhum material disponível deste período em melhores condições, pedimos desculpas e contamos com a compreensão e a paciência de todos.

Algumas das música estão com o seu início e o fim cortados nas primeiras ou últimas notas por conta de quem gravou ter dado ‘play’ ou ‘pause‘ sem o cuidado de preservar as notas iniciais e finais. 
O Prelude from Lute, Suite 4, E Major BWV 1006a, por exemplo, é um desses casos e está, infelizmente, sem as quatro notas iniciais.

Esclarecendo melhor, em defesa de quem fez a gravação, eram tempos analógicos, e no início de cada recital ou concerto, era comunicado que quem fosse pego gravando seria convidado a se retirar sem a fita diante de todos os presentes, o que se deu algumas vezes. Tal comunicado era reforçado pelo temperamento do músico que além de ser refratário à gravação, não via com bons olhos tal iniciativa.
Contudo, o fato de Darcy não ter discos gravados incitava aos mais destemidos a desafiarem a sorte. O nervosismo daqueles que se arriscavam diante do inevitável e do barulho que as teclas dos aparelhos faziam, mesmo que abafadas por casacos, explica a falta de precisão ou a ausência de maiores cuidados com a qualidade de captação. 

O leitor certamente entenderá que  foram inúmeras as tentativas de gravações clandestinas e não autorizadas, e a maioria delas frustradas pela equipe de seguranças que ficava nas frisas e laterais com binóculos, vigiando os mais ousados. Cenas constrangedoras de deram daí, e que durante um bom tempo fizeram parte dos recitais de Villa Verde.
Numa ocasião dessas, um senhor de idade ao ser pego é convidado a se retirar, e se recusando a sair, é retirado pela equipe de segurança. Ao chegar na saída do teatro o senhor foi identificado pelo próprio filho do músico que buscava acompanhar o ocorrido. Tratava-se do próprio Geraldo Villa Verde, tio do artista.
Seu filho pediu aos seguranças que o deixassem em paz e devolvessem o gravador que misteriosamente, depois de verificado, estava com uma fita ainda não gravada. O Sr. Geraldo tinha sido mais rápido.

Com relação ao repertório clássico, as interpretações falam por si.
Duas gravações de Chaconne de Bach são propositalmente apresentadas. A primeira do ano de 1972, em uma performance mais próxima a que Darcy apresentou no Concurso de Paris e que impressionou profundamente a todo o júri, ao público e à sua mentora Ida Presti.
Consegue-se perceber a influência de um Segóvia jovem nesta execução, apesar da predominância de uma identidade interpretativa muito própria de Darcy, de como enxergava técnica e estilísticamente o período barroco e as obras de Bach, dando ao espírito da ‘Chaconne’ seu próprio sentido musical. 

Na segunda versão, quase 5 anos depois, Darcy já a enxerga diferente.
Mais maduro, sua visão musical reveste a obra de uma maior densidade, buscando a intensidade de seu espírito solene, sem largar o domínio estrutural do estilo e do brilhantismo execucional, nesta expressiva e memorável interpretação.
Na visão de Darcy Villa Verde, Johann Sebastian Bach é pura emoção, e isso precisa ser demonstrado com maturidade emocional e musical. 

Confessou, que precisou tocá-la por anos antes de adentrar um campo de percepção interpretativa mais adequado à própria proposta da composição.
Era como passara a senti-la. 
Importante inferir que isso, evidentemente, não restringia seu conceito da peça à própria interpretação. Anos mais tarde veio a admirar outras versões interpretativas, como a que Julian Bream deu à mesma peça.

As músicas seguintes, foram escolhidas buscando montar o perfil de programa que Darcy Villa Verde costumava apresentar em seus recitais durante um período de tempo.
Peças completamente diferentes em estilos e climas para um mesmo programa, com interpretações ‘autorais’ e totalmente fiéis aos estilos que representam. 
E possível perceber os climas musicais criados e as diferentes ambiências sonoras elaboradas para cada uma. Uma propriedade de sua musicalidade e visão interpretativa.

Importa ressaltar que Darcy no clássico, com a sua maioridade musical, conceituou certas peças que faziam parte de seu repertório de uma maneira mais autoral daquelas apresentadas e servidas como referência aos músicos de seu tempo. 

Sua própria visão e compreensão execucional das músicas que escolheu, resultado das pesquisas e estudos que fez sobre os compositores e suas ideias musicais, lhe renderam uma percepção própria e o levaram a uma proposta de dinâmica interpretativa que, apesar de manter e valorizar os estilos respectivos de cada uma da músicas, recebiam muito bem suas inflexões e apontamentos tornando suas interpretações mais intensas e transcendentes. Todas elas, muito apreciadas pelo público e pela crítica. 
Além disso, em algumas dessas peças, Darcy Villa Verde toca acentuadamente mais rápido do que era costume na época, dando-lhes uma identidade quase nova. 
Courrante de Bach, Canárius de Gaspar Sanz, Allemande e Giga de Ponce/Weiss, o Estudo ‘Mariposa’ de Tárrega, o Estudo Carioca de Nicanor Teixeira, as Danças Españolas Nº 5 e Nº 10 de Enrique Granados, são algumas delas. E isso, porque simplesmente as entendia dessa forma. 

Com o tempo amadureceu seu pensamento e a forma de sentir cada uma, e buscou outras ‘texturas’ e ‘cores’ na maneira de ‘contá-las’. Disse, Darcy, que  passou a percebê-las com outras dimensões. Outras, entretanto, permaneceram como nasceram em suas mãos: ‘Coloridas’ e ‘Prestíssimo’.

Darcy Villa Verde, que optara pela música clássica por visualizá-la como o seu próprio ‘état de conscience’, firmou posição de músico concertista internacional no violão clássico se permitindo, como estratégia de divulgação da música erudita, ou a pedido do público, oferecer algumas peças populares ao término de seus recitais por entender que a sua musicalidade com a sua técnica, sonoridade, arranjos e interpretações, elevava execucionalmente a música popular a um patamar muito apreciado, até pelos críticos mais eruditos. 

É verdade, que alguns desses críticos mais ortodoxos chegaram a desaprovar tal iniciativa. Mas o público pedia e Darcy, sempre muito bem acolhido pelo público, atendia mesmo quebrando o protocolo, caso achasse oportuno. 

A respeito do repertório popular de Darcy Villa Verde, é importante ressaltar que cada uma das músicas escolhidas por ele, trazia, além do gosto pessoal, uma icônica ‘razão de ser’ em seu repertório pelo que significavam e representavam. 

Era um tempo, os anos 40 a 60, de grande surgimento e difusão da música brasileira, principalmente no Rio de Janeiro, berço de grandes nomes da composição e lar de alguns dos nossos maiores intérpretes.
Novas tendências e gêneros musicais surgiam dos já consolidados choros e sambas, que desde a segunda metade do século XIX, vinham evoluindo em estilos interpretativos, em formação instrumental e com a aparição de novos grupos. 

Assim nasceu o samba-canção, o choro e o renomado ‘Época de Ouro’ como grupo, e o samba-choro, a Bossa Nova e a MPB como gêneros musicais, que sempre inovadores ganhavam adeptos e tomavam os auditórios dos clubes e das rádios, aumentando cada vez mais as suas audiências.
Festivais surgiam, um após o outro, promovendo uma profusão de músicas originais. E a televisão, desde os anos 50, como grande apoiadora e divulgadora, inaugurava e documentava a conscientização de uma nova era da cultura e do entretenimento musical.

Por trás de cada uma dessas músicas, há histórias e significados que não cabe aprofundarmos. Mas se elas, hoje, não representam, como já representaram, a preferência das novas gerações, ao menos prevalecem como um marco ‘atemporal’ do início de uma nova era, em que obras de grandes talentos construíram história e se tornaram referência no mundo da cultura musical internacional.

Importante levar em conta que quando nos referimos ao reconhecimento internacional de nossas músicas, estamos fazendo referência às principais produtoras do mundo, à mídia em geral e às maiores personalidades da música como Sarah Vaughan, George Benson, Tony Bennett, Diana Krall, Elvis Presley, Frank Sinatra, Luciano Pavarotti e diversos outros nomes que cantaram e interpretaram músicas do grande Luiz Bonfá, Antonio Carlos Jobim, Sérgio Mendes, entre outros.

São músicas que quando bem tocadas e interpretadas, levavam os teatros lotados ao êxtase pelo poder de seus ritmos, melodias e harmonias; com arranjos completamente inovadores e muito bem aceitos pela peculiaridade estrutural jazzística, com que eram elaborados e apresentados em recitais e shows.

A música ‘Manhã de Carnaval’, por exemplo, que consta no repertório de Darcy, foi considerada a mais importante canção do Jazz Brasileiro em todo o EUA.
Ajudou, inclusive, a estabelecer o movimento da Bossa Nova no mercado internacional ao final da década de 50. Era tão icônica que chegou a ser interpretada pelos maiores nomes do jazz instrumental como Stan Getz, Chet Atkins e John McLaughlin.
Cantada por vocalistas de todo o mundo, apesar de ter uma versão em inglês, é preferida pelos americanos e europeus no próprio idioma português, por conta da sonoridade
Darcy Villa Verde, evidentemente, lhe preparou um arranjo que realça todo o seu lirismo e história. 

Como podemos perceber, esses sambas, marchas, choros, bossas-novas e ‘mpbs’, são músicas que precisam de músicos amadurecidos e com muita musicalidade, técnica e talento, e que absorvidas por novas ideias de estruturação harmônica e de arranjos contemporâneos, podem tranquilamente ocupar o coração de toda essa nova geração que começa a dar sinais de um entorpecente cansaço emocional-cultural diante do que vivenciam em termos de tendência musical na atualidade.

Por fim, gostaríamos de ressaltar, apesar da pouca qualidade sonora dessas fitas K7, a habilidade técnica do músico em extrair e projetar o som em grandes salas e teatros, liberando volume e mantendo os timbres e as nuances sonoras, nos altos, médios e baixos, sem perda da dinâmica e da expressividade interpretativa. 
Tratam-se dos anos 70, nos quais a tecnologia de amplificação do som desses recitais não contavam com os recursos de hoje, o que dificultava muito todo o processo.
Alguns desses teatros, inclusive, sequer permitiam recursos de amplificação. 

Algumas das gravações, aqui disponibilizadas, nos permitem observar isso mais acentuadamente, mesmo com a baixíssima qualidade de captação que apresentam.

IMPORTANTE: Como as músicas abaixo, têm sua origem em diferentes gravações, de diferentes fitas K7,  com diferentes acústicas, diferentes gravadores e diferentes condições de captação, nossa decisão foi a de preservar a equalização original de cada uma para não comprometer o seu valor histórico.
Visando preservar a autenticidade de cada ambiente e captação, evitamos uma masterização que pudesse aproximá-las sonoramente. Esta a razão de algumas estarem com o som mais abafado, outras com mais destaque nos médios e altos, outras com o volume mais baixo, outras com mais ‘reverb‘ , em função do tamanho do ambiente, e assim por diante.

Fitas K7 - Clássicos

Fitas K7 - Populares

Inaugurada em 1965, a Sala Cecília Meireles se tornou palco dos maiores concertistas do mundo devido a sua proposta que a posicionava como um dos melhores ambientes acústicos já conhecidos, até então, no Brasil.
Darcy se apresentou nela por inúmeras vezes, e via na ‘Sala’, um dos espaços de sua preferência, altamente significativo para ele e seus recitais. Chegou a interromper, por duas vezes, suas tournées, só para aceitar o convite de se apresentar nela. Um deles, a pedido do diretor da Sala, Jacques Klein (D
e 1971 a 1976), grande expoente do piano brasileiro, para participar do programa ‘A GRANDE NOITE’, uma iniciativa que visava divulgar a música clássica e que era conduzido pelo maestro Isaac Karabtchevsky, diretor na época, da divisão de música da ‘Sala’. Este convite levou Darcy a assumir a iniciativa do ‘Projeto Minerva’, visando a divulgação e a desmistificação da música clássica no Brasil. O outro convite veio da, também, diretora da Sala Cecília Meireles (De 1976 a 1979), Myrian Dauelsberg, principal responsável pelas temporadas internacionais de música clássica que se deram na ‘Sala’. À frente da Dell’Arte, Myrian presentiou a nossa cultura trazendo ao Brasil artista como Luciano Pavarotti, Jessy Norman, o Balé Kirov, o Balé Bolshoi, a Orquestra Filarmônica de St Petersburg, e muitos outros. Segundo Darcy, pelo o que a ‘Sala’ chegou a representar no cenário internacional da música erudita, e ainda representa, ela – Sala – “Jamais será superada!”. Para Myrian, Darcy Villa Verde era um dos maiores expoentes do violão clássico internacional e presença obrigatória na agenda da Sala Cecília Meireles. Mesmo depois que saíram da direção da ‘Sala’, a visão profissional de Jacques Klein e Myrian Dauelsberg a respeito de Darcy Villa Verde permaneceu compartilhada pelos diretores que a sucederam; Peter Dauelsberg, Lilian Barretto e Miguel Proença. Assim, desde sua primeira apresentação que se deu no ano de 1968, a convite de José Mauro Gonçalves (Também diretor da Orquestra Sinfônica Brasileira), Darcy Villa Verde marcou, quase que anualmente, presença na agenda da Sala Cecília Meireles até o ano de 1986, quando resolveu se retirar dos palcos e dar por encerrada sua carreira de concertista internacional de violão erudito. Documentadas, somam-se mais de 10 apresentações.

GRAVAÇÃO FEITA NA SALA CECÍLIA MEIRELES DO PROGRAMA ‘A GRANDE NOITE’ EM COMEMORAÇÃO AO ANIVERSARIO DE ISAAC KARABTCHEVSKY. 'ESPECIAL DARCY VILLA VERDE', TV TUPI, 1971.

O Programa ‘A Grande Noite’ foi uma iniciativa visando a popularização da música clássica no Brasil e tinha como apresentador, o renomado maestro Isaac Karabtchevsky. O programa era transmitido pela TV Tupi diretamente dos palcos da grande e icônica Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. A cada semana, o programa recebia um músico clássico e desenvolvia, ao vivo, toda uma pauta educacional e cultural planejada de acordo com o músico convidado. Por ela, passaram os mais importantes nomes da música clássica. 
Um destes programas, a pedido de Karabtchevsky, foi dedicado a Darcy Villa Verde, aproveitando uma de suas vindas ao Brasil. Contratado, Darcy Villa Verde se apresenta no programa, ao final de 71, sob a regência do grande maestro, antes de retornar para os seus compromissos no exterior.

Após o enorme sucesso que o programa alcançou, Isaac Karabtchevsky o convida para fazer parte com ele e com o pianista Jacques Klein do projeto Minerva, uma iniciativa de divulgação e desmistificação da música clássica no Brasil. Convite, este, que Darcy aceita e abraça com grande responsabilidade, uma vez que já vinha há alguns anos, nesta mesma direção, se apresentando e divulgando o violão e a música clássica nos teatros e salas das grandes e pequenas cidades do interior de todo o país. 

Programa 'A Grande Noite' Sala Cecília Meireles, TV Tupi, 1971.

Casa de Jacob do Bandolim em jacarepaguá

Sarau na casa de Jacob do Bandolim em Jacarepaguá. Foi num evento como este, que Darcy Villa Verde surpreendeu Jacob do Bandolim com a sua musicalidade e arranjos próprios no violão. Fizeram-se amigos e, Darcy, que passou a ser convidado constantemente a participar desses saraus, também foi convidado a ser gravado por Jacob, poucos meses depois. Algumas dessas gravações e as fotos aqui encontradas, foram cedidas pelo Instituto Jacob do Bandolim.

Churrasco de domingo na casa de Jacob do Bandolim com a presença de Geraldo Villa Verde, Darcy Villa Verde [N.5], Nicanor Teixeira, Jodacil Damasceno, Oscar Cáceres, Turíbio Santos e o próprio Jacob do Bandolim.

GRAVAÇÃO FEITA NA CASA DE JACOB DO BANDOLIM, 1963.

Temendo que Darcy Villa Verde não cedesse à gravação de um CD de vinil, Jacob do Bandolim também insistiu para que Darcy concordasse em ser gravado por ele, em sua própria casa em Jacarepaguá. O ano é de 63 e a gravação contou com a presença de alguns poucos amigos de Jacob que frequentavam seus famosos saraus. O tio de Darcy, Geraldo Villa Verde, estava sempre presente e, segundo depoimento do próprio, afirma ter sido uma tarde e um final de noite inesquecível. Diria mais tarde que seu sobrinho conquistara o coração de uma lenda viva da música brasileira.

O nome Jacob do Bandolim marca um dos momentos áureos do choro e da música brasileira: O Época de Ouro. Um rompimento no paradigma do choro e da música brasileira que leva Jacob do Bandolim com seu espírito inventivo e inovador a modernizar o estilo, introduzindo outros instrumentos não usuais no gênero.
Muitos podem até entender que Jacob faz parte da história do bandolim no Brasil. Esta é uma definição incompleta. Jacob é o Bandolim no Brasil; pois tudo o que dele decorre, reflete de alguma forma a sua escola e marca.
Essa é uma questão muito importante. Figuras icônicas e representativas como a dele na música, se tornam parte da música e, ao mesmo tempo, parte de suas histórias. Todo iniciante ou profissional experiente no instrumento que olhar para um bandolim neste país precisa saber disso.
Jacob do Bandolim, compositor e instrumentista, sem dúvida alguma é cultura obrigatória, principalmente para os jovens que iniciam na música; cultura que precisa ser apresentada, trabalhada, incorporada e preservada no mundo acadêmico e na vida de todo apreciador e intérprete do bandolim.

IMPORTANTE: Como as músicas abaixo, têm sua origem em diferentes gravações, de diferentes fitas K7,  com diferentes acústicas, diferentes gravadores e diferentes condições de captação, nossa decisão foi a de preservar a equalização original de cada uma para não comprometer o seu valor histórico.
Visando preservar a autenticidade de cada ambiente e captação, evitamos uma masterização que pudesse aproximá-las sonoramente. Esta a razão de algumas estarem com o som mais abafado, outras com mais destaque nos médios e altos, outras com o volume mais baixo, outras com mais ‘reverb‘ , em função do tamanho do ambiente, e assim por diante.

Gravações de Darcy Villa Verde feitas na casa de Jacob do Bandolim, pelo próprio.

,Darcy Villa Verde em um dos saraus na casa de seu avô Eugênio Villa Verde.  No centro, abaixo e de costas, seu tio Geraldo Villa Verde. Sempre devotado e presente ao lado do sobrinho, acompanha suas apresentações.

GRAVAÇÃO FEITA NA CASA DE SEU AVÔ, EUGÊNIO COM A PRESENÇA DE FAMILIARES E AMIGOS MÚSICOS, ANOS 60 e 70.

Os encontros musicais – saraus – na casa de Eugênio Villa Verde, avô de Darcy, ficaram muito conhecidos no Rio de Janeiro, no início do séc. XX, reunindo expoentes da música como Heitor Villa-Lobos, Irineu de Almeida, Sátiro Bilhar, João Pernambuco, Levino da Conceição, Luperce Miranda, entre muitos outros.

Mais tarde, estes saraus deram espaço a outros grandes nomes de expressão da música brasileira como Pixinguinha, Altamiro Carrilho, Radamés Gnattali, Jacó do Bandolim, César Ayala, Solon Ayala, Dino Sete Cordas, Euclides Lemos, César Faria (Pai de Paulinho da Viola), Cyro Monteiro, Miguel Jorge do Souto (Ao Bandolim de Ouro), Dilermando Reis, entre outros tantos, já citados. 

Darcy Villa Verde, que frequentou a maioria desses encontros semanalmente, incorporou este costume de saraus como entretenimento desde seus cinco anos de idade, inicialmente assistindo, e logo depois tocando.

Como parte da cultura da família, esses saraus continuaram ocorrendo na casa de Geraldo Villa Verde, seu tio, reunindo mais tarde outros nomes também representantes da música brasileira, como Toni Sete Cordas, Dulce Villa Verde (cantora), Déo Rian, Genésio Nogueira, Nonato Luiz, Luizão (Luiz Maria de Jesus), Antonio Victor, Francisquinho Villa Verde, Horondino Silva (Dino 7 Cordas, muito amigo de Geraldo Villa Verde) e outros tantos. 

Vale lembrar que os outros tios de Darcy não só eram violonistas como também compositores. Um exemplo é Jayme Villa Verde, compositor, poeta, escritor e violonista. Uma de suas composições ‘Ginasiano’, é um samba que abre o único disco de Oscar Bellandi como intérprete. 
Jayme Villa Verde; seu nome consta nos Anais dos Compositores e Poetas Brasileiros.

A gravação abaixo é um registro de um desses momentos de descontração e música. Um encontro de violões na casa de seu avô.

Uma coisa que chamava a atenção de todos que assistiam Darcy se apresentar, era a sua capacidade de tocar diferentes peças musicais com interpretações muito distintas, uma da outra, e sem alterar o perfil de cada uma delas. Não importa a ordem que escolhesse tocar, cada uma preservava seu próprio gênero, estilo, clima e atmosfera musical.

Importante lembrar que em um encontro musical as peças eram interpretadas sem necessariamente estarem agrupadas por gênero ou estilo. 
Em se tratando de um recital, esta informalidade, obviamente, não ocorria.
Mesmo assim, sua capacidade de criar ambientes interpretativos próprios e distintos chamava a atenção.

Com relação a isso segue comentário de um crítico, extraído de uma reportagem em um jornal lituano, sobre o assunto

É comum vê-lo, antes de iniciar cada peça de seu recital, se concentrando profundamente neste processo de transição de um mundo musical para outro. Segundo relatou, visualiza mentalmente os campos sonoros, tímbricos, interpretativos, harmônicos, melódicos e rítmicos da música, antes de iniciá-la.
Para isso, exige absoluto silêncio do público. 
Desta forma, pode ‘transitar’ os diferentes estilos sem perder a forma, a força interpretativa e a elegância, com interpretações muito intensas e expressivas. Podemos afirmar, após acompanhá-lo em alguns recitais que deu, que este músico torna isso possível de uma maneira difícil de descrever. Só assistindo para entender.” 
[Texto traduzido. Final dos anos 70.]

Também teremos oportunidade de ouvir Darcy estudando ‘Carioca 1’ de Nicanor Teixeira e o Estudo N. 14 de Tárrega. 
Para Darcy, este Estudo entitulado ‘La Mariposa’ de Tárrega, é uma harmonia descritiva de uma mariposa em vôo frenético, sendo atraída e batendo intermitentemente na luz antes de morrer; razão pela qual interpreta a peça nesta dinâmica e velocidade. 
Alguma vezes, enquanto estudava esta peça, para o entretenimento de seus filhos quando crianças, tocava ainda mais rápido, olhando para o lustre aceso e acompanhando com a cabeça o suposto movimento de uma mariposa que quando batia na luz e voltava, era acompanhada da nota ‘alta’ com um ‘glissando’, o que os divertia muito, roubando longas gargalhadas.

Um outro bom exemplo de harmonia descritiva é a música de Luiz Allan, Sahara. 
Ao ouvi-la na interpretação de Darcy Villa Verde, não fica-se só com a alusão ao título. Vive-se o tema.

No caso do Carioca 1 de Nicanor Teixeira, apesar de no início de sua carreira, ter incluído estas peças junto com o estudo de N. 5 – do próprio Nicanor – em algumas de suas apresentações mais reservadas a pequenos ambientes, Darcy terminou por removê-las, passando a utilizá-las mais para estudo, assim como fazia com os Estudos de Villa-Lobos. 

A velocidade impressa nesses estudos obedece a ideia interpretativa de Darcy pela forma como as enxergava musicalmente. 

À público, tanto ‘La Mariposa’, como os Estudos de Nicanor ou Caixinha de Música, de Isaías Sávio, só foram tocadas como peças ‘extras’, quando já cansado, as utilizava para encerrar o recital diante do público que teimava em não parar de pedir ‘bis’.

Gravações feitas num sarau na casa de Eugênio, avô de Darcy Villa Verde.

Geraldo Villa Verde, violonista profissional contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Acompanhador e amigo muito querido de inúmeros compositores e cantores da época de ouro da música brasileira que frequentavam os saraus de sua casa. Geraldo era tio de Darcy Villa Verde e admirador incondicional deste sobrinho que sempre lhe surpreendeu musicalmente. Foi figura importante e muito presente na vida de Darcy, dando-lhe apoio e atuando como um segundo pai.

GRAVAÇÃO FEITA NA CASA DE GERALDO VILLA VERDE, TIO DE DARCY, 1991.

Após o término da Chaconne, na Sala Cecília Meireles, no início dos anos 80, com o público aplaudindo-o de pé, Darcy Villa Verde pede a palavra para dividir um grande sentimento de gratidão diante de todo aquele reconhecimento por parte do público que não cessava.
Após obter o silêncio desejado, Villa Verde afirma o valor de um homem que sempre presente em sua vida o acompanhou estimulando-o na construção do músico que se tornara: seu tio, Geraldo Villa Verde.

Tendo perdido seu irmão mais novo, Francisco de Paula - o que fazia duo de violão com Darcy - praticamente no mesmo período de tempo em que Darcy, ainda jovem, perde seu pai na luta contra o câncer, Geraldo Villa Verde marca presença significativa na vida de Darcy Villa Verde, atuando como que uma segunda referência paterna, e ajudando-o a subir aos palcos das rádios e dos pequenos teatros para se apresentar. Geraldo foi quem, também, ajudou Darcy a ingressar nas reuniões musicais das grandes expressões da música da época, como as que se deram na casa de Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, entre muitos outros.

Geraldo, com toda a experiência que tinha como músico, foi violonista acompanhador, contratado da Radio Mayrink Veiga, uma das rádios mais importantes da época junto a Rádio Nacional, tocando com Luperce Miranda, Ciro Monteiro, Oscar Bellandi, Ataulfo Alves, Herondino Silva, Aldo Cabral, e muitos outros.

Grande conhecedor de harmonia, acompanhava quem fosse, sem precisar saber a quem ou com qual música; habilidade, esta, aliás, de vários violonista da época.
Geraldo era tão querido e desejado por todos que o próprio músico e compositor Oscar Bellandi o presenteou com o próprio violão, instrumento este, que muitos namoravam e viviam de olho. Pode-se ver o violão no detalhe da foto acima.

Os músicos, compositores e instrumentistas que com ele trabalharam, foram muitos. Oscar Bellandi (Autor de inúmeras músicas importantes como 'Caixa Postal Zero Zero'), Euclides Lemos, Raul Santiago (Outro autor de músicas emblemáticas como 'Meu Pequeno Cachoeiro'), Déo Rian, entre inúmeros outros, eram presença confirmada na casa de Geraldo Villa Verde durante toda a vida. Aliás, como já mencionado, a casa de Geraldo era outro endereço conhecido dos famosos saraus do antigo Rio de Janeiro.

Nossa reverência, neste site, a Geraldo Villa Verde é um dever, porque sem sua presença constante, disponibilidade, amizade, simpatia e extrema devoção à música que sempre o definiu, muita parte da história de Darcy Villa Verde e, quem sabe, de muitos outros músicos não teria seguido os rumos que seguiram.

Tratava-se, então, neste dia, na Sala Cecília Meireles, de um agradecimento de Darcy, frente ao público, àquele que foi uma pedra angular de toda a sua construção profissional.
Darcy Villa Verde acreditava que seu tio estivesse presente ao recital, mas Geraldo 'felizmente' não se sentiu bem e não pôde comparecer à apresentação do sobrinho. Com certeza, explica Francisquinho, filho de Geraldo, que se ele estivesse na Sala Cecília Meireles naquele dia, emotivo que era, sofreria um infarto fulminante diante dessa homenagem.

"Ouvir o próprio sobrinho reverenciá-lo em público depois de interpretar a Chaconne que ele tanto amava? Cemitério na certa!"

Um aparte:

Para se compreender a delicadeza que um momento como este assumia no coração de um músico como Geraldo, e o quanto de valor, momentos assim, contribuíram como parte da cultura e da história que ficou registrada nas letras de algumas canções e nas memórias de muitos, só tendo vivido aqueles tempos antigos para saber. A música, a letra, a palavra, o respeito e a consideração - e aqui, nos dirigimos aos jovens leitores - assumia no coração desses músicos, um peso, uma relevância e uma intensidade emocional e física tão grande, que mexia com os sentimentos de uma maneira muito profunda e que não dá para aquilatar. Não haviam todos esses estímulos da atualidade que terminaram por dessensibilizar as pessoas, banalizando momentos como esse que narramos, e que levam as novas gerações a acharem esse tipo de 'reação emocional' que o nosso Geraldo e outros músicos tinham, e ainda tem, como exagerada e piegas. Como, habitualmente se costuma dizer, "Era uma outra época, eram outros músicos, eram outros, os tempos".

Abaixo, algumas poucas gravações antigas de Darcy tocando músicas populares na casa de seu tio Geraldo Villa Verde.

Ao final da sequência, uma gravação ocorrida em um dos saraus na casa de Geraldo em comemoração do aniversário de Darcy, em janeiro de 1991.
Neste sarau estão presentes Darcy Villa Verde, Luizão, Geraldo Villa Verde, Francisco Villa Verde, Antonio Ogliaruso, Toni 7 Cordas, entre outros violonista, músicos, familiares e amigos.

A última gravação, um duo de violões com Francisco Villa Verde e seu amigo e dupla Antonio Ogliaruso; trata-se apenas de um ensaio, mas numa execução que revela claramente o ambiente desta família, sempre regado de talento e potencial.
Francisco Villa Verde, ou Francisquinho como era conhecido, era violonista, filho de Geraldo e primo de Darcy Villa Verde. Já Antonio, o mesmo que o assistiu na Sala Cecília Meireles e que pelas mãos do destino veio a fazer parte da família e dos saraus na casa de Geraldo e de outros músicos por mais de 40 anos, é um violonista que chamava a atenção de Darcy, pela grande habilidade no violão. Aliás, todos os dois - Francisquinho e Antonio - nas palavras de Darcy e de Sérgio Assad, amigo próximo, eram violonistas que só precisavam sentar e estudar, esquecendo das horas, para amadurecerem a qualidade do que traziam.

IMPORTANTE: Esta série de gravações, traz o som, como um todo,  mais surdo, abafado e cheio de chiados e barulho ambiente. Das gravações em fitas K7, é uma das que mais se encontram danificadas. Contudo, estão sendo apresentadas pelo valor histórico-cultural e musical.

Gravações feitas num sarau na casa do violonista Geraldo Villa Verde, tio de Darcy.

Saraus, música, violão, família e músicos amigos.

Conforme já dito, além do saraus oficialmente agendados na casa de Geraldo Villa Verde, tio de Darcy, toda e qualquer reunião, encontro familiar, visita inesperada de um amigo ou parada para um cafezinho, era assunto ou motivo pra música.

No primeiros dois links abaixo, um encontro simples de final de semana, que próximo à data de aniversário de Darcy Villa Verde, se transformou em um sarau com a chegada inesperada de Dino 7 Cordas e Paulo Barcelos à casa de Geraldo, sem que ambos soubessem da presença de Darcy Villa Verde, recém-chegado do exterior.
Algumas ligações feitas, e pouco tempo depois, mais de 20 músicos reunidos e muita música noite à dentro.
Nestes dois links de música informal e descompromissada, a presença de Darcy Villa Verde, Luizão do violão, Dino 7 Cordas, Toni 7 Cordas, os violonistas Antonio Ogliaruso, Francisquinho Villa Verde, Geraldo Villa Verde, José Villa Verde, o italiano Gianni Palazzo, as vozes de Dulce Villa Verde, Paulo Barcelos, e seresteiros como Lucio Melo e muitos outros violonistas e cantores. 

No terceiro link, Francisquinho Villa Verde e Antonio Ogliaruso, tocando o Duo em Sol Maior, Opus 34 N. 2  de Ferdinando Carulli.
Pertencentes à família de violonistas e amantes de música clássica, ambos os violonistas preparam este duo inspirados pela execução de Julian Bream e John Williams.

Resolvemos trazer esses 3 links extras, apenas para que o leitor entenda o ambiente musical que era promovido pela família Villa Verde, que foi parte do berço, da história e da cultura do violão brasileiro.

CORTES DE UMA 'AULA MAGNA', EM MANAUS, TRANSMITIDA AO VIVO.

Em um outro momento, Darcy divide orientações com relação a interpretações e aplicação de técnicas numa ‘Aula Magna’ que ocorreu no Teatro Amazonas promovida pela Fundação Cultural.
A Aula, que tinha como tema ‘Alta Interpretação e Técnicas de Expansão da Musicalidade em Bach’ virou um grande evento, lotou de estudantes e contou com a presença da mídia e de músicos em suas duas ‘Master Classes’ demonstrativas.
Ambas transmitidas ao vivo e, segundo informação, reprisadas na rádio cultura.

“Duas ‘Master Classes’ foram dadas por Darcy Villa Verde a um público de estudantes que lotou o Teatro Amazonas, e que tomados pelo seu carisma e simpatia, ficaram surpreendidos pela sua musicalidade, sua habilidade em comunicação e pela sua capacidade artística que já encantou mais de meio mundo com sua visão interpretativa de Bach”.  Jornal do Commercio 

Diante das limitações técnicas e da carência de melhor qualidade nas reproduções fonográficas, esperamos que todos tenha gostado e aproveitado a oportunidade de acompanhar e conhecer um pouco da vida e do trabalho deste músico e artista que sempre se destacou pelo empenho em subir ao palcos de seu país e do mundo para dividir com todos, sem distinção de nenhuma espécie, sua forma de sentir, contar e interpretar sua arte, sua música. Muito obrigado.

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